Início do Rádio Esportivo no Brasil
- Eduardo Rodrigues

- 1 de nov. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 3 de dez. de 2021
As transmissões radiofônicas das partidas foram fundamentais para que o esporte se transformasse em paixão nacional.

Em 7 de setembro de 1922, houve a primeira transmissão radiofônica no nosso país, pela Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Curiosamente, 100 anos depois da Independência. Porém, naquela época, o esporte se resumia apenas em boletins informativos.
ANOS 30 - AS PRIMEIRAS TRANSMISSÕES
A primeira transmissão de um jogo de futebol ocorreu no dia 19 de junho de 1931, pela Rádio Educadora Paulista — primeira emissora de São Paulo, inaugurada em 1923 —, por meio da voz do locutor Nicolau Tuma (1911-2006).
Ele narrou a vitória da Seleção Paulista sobre a do Paraná por 6 a 4, pelo Campeonato Brasileiro de Seleções, no Campo da Chácara da Floresta, em São Paulo.
Um detalhe curioso é que, Tuma precisou decorar as características dos jogadores antes do jogo iniciar (cabelo, bigode), pois eles não tinham números nas costas. Além de se preocupar em explicar as regras do futebol.
O narrador ficou conhecido como speaker metralhadora, pela rapidez que narrava os lances, cerca de 250 palavras por minuto. Sua narração, apesar de histórica e muito importante para a história das transmissões esportivas, não foi feita para o Brasil inteiro. Esse fato marcante ficou para Gagliano Neto.
GAGLIANO NETO: O “SPEAKER ESPORTIVO”

No dia 5 de junho de 1938, Leonardo Gagliano Neto (1911-1974), narrou uma partida da terceira Copa do Mundo de futebol, ao vivo, para todo o país.
O “speaker” esportivo – apelido lhe dado na época –, contou o jogo entre Brasil e Polônia, com vitória da Seleção Brasileira por 6 x 5, direto da França. No que ficou marcado também, pela primeira transmissão do rádio brasileiro feita em outro continente.
Como a emissora não tinha muito recurso financeiro, Gagliano era “obrigado” a falar durante os 90 minutos do jogo, pois não tinham comentaristas e nem repórteres de campo.
Além disso, por falta de infraestrutura adequada, o “speaker”, chegou a narrar as partidas no meio da torcida, e até mesmo, de cima do telhado do estádio, algo bem peculiar pensando na estrutura dos estádios hoje em dia.
Vale lembrar que, o presidente Getúlio Vargas, decretou feriado nacional e ordenou que fossem instalados alto-falantes nas praças e locais públicos para que todos pudessem acompanhar a transmissão.
“O saudoso “speaker” Gagliano Neto, ídolo no Brasil inteiro pré-TV e a partir do Rio de Janeiro-RJ, é fortíssimo integrante da “Seleção Brasileira dos Locutores Esportivos”. — exaltou Milton Neves, no site do Terceiro Tempo.
ANOS 40: OS BORDÕES SE TORNAM UMA 'MARCA'
A década de 40, ficou marcada pelas criações, irreverências e bordões nas narrações esportivas. O grito de “GOOOOOOOOL”, por exemplo, foi criado por Rebello Júnior, o “HOMEM DO GOL INCONFUNDÍVEL”. Sua invenção do “GOL PROLONGADO”, é até hoje seguida pelos narradores de futebol.

Os termos “PIMBA” e “BALANÇOU O VÉU DA NOIVA”, foram marcas da época, idealizadas por Raul Longras, que curiosamente apresentou o primeiro programa de namoro na televisão - o Casamento na TV - em 1960.
Outros narradores ficaram marcados na década, como Ailton Flores; Jorge Curi, com o seu bordão “PASSA DE PASSAAAAAAAGEM”, além do Fiori Gigliotti.
“Eu ouvia muito rádio desde pequeno, por influência do meu pai, ouvindo jogos do meu time. Ficava muito empolgado com aquela narração rápida, que deixa a gente tenso, achava muito interessante. Um dia estava ouvindo o programa do Milton Neves, e ele mostrou uma narração do Fiori Gigliotti, e eu me encantei com a narração. “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo…”, achei muito interessante e poético”. — disse Eric, diretor do site Futebol na Veia e da Rádio Poliesportiva.
Além do bordão citado por Eric, "ABRAM-SE AS CORTINAS E COMEÇA O ESPETÁCULO…”, Gigliotti, utilizava “O TEMPO PASSA…”, “TENTA PASSAR, MAIS NÃO PASSA”, “CREPÚSCULO DO JOGO” e etc.
Com o surgimento da televisão - principal concorrente do rádio na época - na década seguinte, as transmissões esportivas radiofônicas mantiveram suas audiências. Entretanto, com a aparição da internet, as coisas mudaram.
Mesmo assim, não há de se negar, que as narrações esportivas no rádio estão no coração de qualquer brasileiro apaixonado por futebol. Pois transborda emoção, nos faz imaginar cada lance e é algo que está na sua essência.
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