Streaming: A Nova Era das Transmissões Esportivas
- Eduardo Rodrigues

- 22 de nov. de 2021
- 5 min de leitura
Atualizado: 7 de dez. de 2021

ORIGEM
O streaming iniciou em 1995, com a empresa Progressive Networks, criadora da Real Vídeo, a transmissão ocorreu em formato mono, e em arquivos altamente compactados, o que deixou a qualidade do som bem prejudicada.
No mesmo ano, foi transmitido o primeiro jogo de beisebol na internet por rádio, em tempo real, a partida foi Seattle Mariners e New York Yankees, que foi acompanhada por mais de 300 mil pessoas.
Um ano depois, a novidade do streaming chegou no Brasil, em 14 de dezembro de 1996, Gilberto Gil e sua banda, lançaram a música 'Pela internet.' A transmissão ocorreu, ao vivo, diretamente de um dos escritórios da Embratel.

O projeto foi uma parceria do Jornal O Globo, a empresa IBM e a Embratel, e para sua realização, foi necessária uma grande equipe, com técnicos, produtores e músicos, além de diversos cabos espalhados pelas salas do prédio.
Desde então, novos formatos surgiram, permitindo gerar arquivos mais leves e com melhores som e imagem (MP3, MP4, AAC e MOV), são algumas das extensões. E hoje, elas permitem a transmissão em até K.
NÚMEROS DURANTE A PANDEMIA DO COVID-19
Segundo o relatório anual da MPA (Motion Picture Association), entidade que representa a indústria cinematográfica dos Estados Unidos, os serviços de streaming ultrapassam 1,1 bilhão de assinantes no mundo.
Com um aumento de 26% nas assinaturas dos serviços em 2020, o que equivale a 232 milhões de pessoas. Entre fevereiro e março, houve um crescimento de 75% nos downloads de aplicativos de streaming na Google Play Store.
Em 2019, os downloads dos serviços de streaming correspondiam a 1 em cada 5 aplicativos de entretenimento na Google PlayStore, e 3 a cada 5 na Apple App Store. E nesse ano, a busca cresceu para 4 em cada 5, em ambas lojas de aplicativos, um aumento de 300%.
E pensando no aumento e na proporção que os serviços de streaming oferecem, diversas empresas, e até mesmo clubes, estão migrando para essa plataforma, como por exemplo o DAZN.
DAZN: UM DOS PRECURSORES DO STREAMING

A DAZN é um dos primeiros serviços de streaming de esportes no mundo, que permite assistir a jogos em qualquer lugar, basta ter acesso a internet pelo celular, computador, tablet ou videogame.
Está presente em mais de 200 países, e possui o direito de transmissão de diversas modalidades de esportes:
Brasileirão Série C
Premier League;
Copa da Inglaterra;
NBB;
Fórmula Indy; e etc..
O DAZN chegou no Brasil em 2018, com transmissões em português, reunindo jornalistas conhecidos, e exibindo campeonatos tradicionais, como a Sul-Americana e Campeonato Francês.
Porém, durante a pandemia do COVID-19, a empresa entrou em “crise”, o número de assinantes reduziu drasticamente, e consequentemente, tiveram que rescindir diversos contratos de jornalistas e campeonatos no Brasil.
E o mais recente foi a devolução dos direitos de imagem do NBB (Novo Basquete Brasil), que estavam previstos em contrato até a temporada 2021/2022. E segundo o Gabriel Vaquer, colunista do UOL, o DAZN decidiu sair do Brasil por causa da crise causada pela pandemia do Coronavírus.
CLUBES ESTÃO MIGRANDO PARA O STREAMING
Alguns clubes de futebol estão “entrando” nessa nova onda de transmissão, caso por exemplo do Athlético Paranaense, que lançou no ano passado, a sua própria plataforma de streaming.
O Furacão Live, transmite todos os jogos do clube na Arena da Baixada (estádio do clube), bastidores, treinos e conteúdos exclusivos.
Além do Furacão, o Flamengo é outro clube que vem investindo em conteúdos exclusivos no Pay-Per-View.
Neste ano, o Clube de Regatas do Flamengo inaugurou o seu pay-per-view, o FlaTV+, que transmitiu alguns jogos do clube no Campeonato Carioca, com exclusividade:
“A FlaTV+ é um passo importante para fortalecer nosso relacionamento direto com a espetacular Nação Rubro-Negra. Ela é mais uma prova de que o Flamengo está na vanguarda do mercado esportivo. Com o lançamento da plataforma, vamos dinamizar ainda mais a nossa produção de conteúdos relevantes para os torcedores, aumentando tanto o engajamento com a torcida, quanto as receitas para o clube. Temos certeza de que será mais um enorme sucesso." — disse ao site do clube, Gustavo Oliveira, vice-presidente de Comunicação e Marketing do Flamengo.
O Rubro-Negro arrecadou cerca de 14 milhões com venda de direitos de televisão e patrocínio do Campeonato Carioca, sendo que a maior parte foi originado com o pay-per-view do Cariocão:
“Eu acredito que os clubes devem fazer suas próprias transmissões. Acho que está cada vez mais natural, as equipes fazerem suas próprias escolhas, terem sua rádio, web tv, streaming, onde você assiste e paga por um valor direto ao seu time do coração”, disse Eric Filardi, diretor do site Futebol na Veia e da Rádio Poliesportiva. “O clube ter sua própria autonomia para transmitir seus jogos ou vender para quem quiser, acredito que é o futuro.” — completou Filardi.
O locutor esportivo, Marcelo do Ó, também comentou sobre os clubes de futebol transmitirem seus próprios jogos:
“Acho muito válido, tem espaço para todo mundo, cada um faz aquilo que dá retorno. Vivemos no mundo capitalista, é ótimo que os clubes façam suas próprias transmissões, porque a nossa (transmissões de fora), ela nunca vai ser parcial, por mais que às vezes pareça. A gente não pode prescindir o outro lado em uma transmissão jornalística”, disse Marcelo. “Eu acho que a energia 97, faz uma coisa muito legal, muito próxima, de uma transmissão de clube. Mas uma instituição, e aí eu destaco o São Paulo, que melhor faz isso dos clubes daqui. Eu acho super válido, dar espaço, revelar gente e pode trazer algum retorno comercial pros clubes, se souberem trabalhar isso”, apontou.
STREAMING BATE RECORDE DE AUDIENCIA NAS REDES SOCIAIS

Além dos clubes, as redes sociais resolveram utilizar a plataforma de Pay-Per-View, para transmissões de jogos de futebol.
O Facebook, a maior rede social do mundo, transmitiu desde 2018, a maior competição de clubes (Liga dos Campeões da Europa).
A final da Liga dos Campeões 2019/2020, entre Bayern de Munique e Paris Saint-Germain, que terminou 1 x 0 para o time bávaro, se tornou a maior live já transmitida no planeta, alcançou o pico de 4,2 milhões de espectadores no Facebook do Esporte Interativo.
O recorde era do canal FluTV no YouTube, que teve 3,59 milhões de dispositivos conectados durante a final da Taça Rio do Campeonato Carioca entre Fluminense e Flamengo, que consolidou o título nos pênaltis para o time das Laranjeiras.
E apesar dos recordes de audiência, o Facebook, não renovou com a UEFA, e os direitos de transmissão da Liga dos Campeões desta temporada, em “rede aberta", ficou para a emissora de Silvio Santos.

Portanto, não podemos afirmar que as transmissões esportivas serão apenas do streaming, porém, não há de se negar, que o Pay-Per-View cresceu consideravelmente nos últimos anos, principalmente durante a maior crise sanitária do mundo:
“Eu acho que vai ser cada vez mais natural, e é o futuro das transmissões esportivas (via streaming). Mas também não acredito que seja o fim da tv, rádio, web rádio, pois tem mercado, espaço para todos. Isso só será mais uma “mão” para o jornalismo esportivo crescer”, finalizou Eric Filardi.
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